Património Cultural

Angola e cabo-Verde reforçam Cultura

Os ministros da Cultura de Angola e Cabo Verde, Carolina Cerqueira e Abraão Vicente, respectivamente, reiteraram nesta terça-feira.

Os ministros da Cultura de Angola e Cabo Verde, Carolina Cerqueira e Abraão Vicente, respectivamente, reiteraram nesta terça-feira, em Cabinda, a necessidade da consolidação da partilha de conhecimentos e a cooperação entre os dois países nos mais diversos domínios culturais. Falando à imprensa, a ministra Carolina Cerqueira afirmou que se pretende o reforço da cooperação na vertente do património cultural tendo em conta a experiência de Cabo Verde e pelas especificidades nesta área que Angola quer aperfeiçoar.
Carolina Cerqueira adiantou que estão, desta forma, lançadas as bases para a curto e médio prazo se trabalhar nas acções de promoção da indústria criativa e do turismo cultural. A ministra realçou que a assinatura da declaração enquadra-se no programa da diplomacia cultural que está em plena sintonia com a diplomacia política. Já o ministro cabo-verdiano, Abraão Vicente, asseverou que se trata do primeiro passo para se consolidar o novo quadro de cooperação cultural entre os dois países, reforçando os programas de acção conjuntos. O governante de Cabo Verde adiantou que os dois povos têm laços e uma história comum que os obriga a trabalhar e caminhar em conjunto, promovendo acções que contribuam na preservação, divulgação e valorização da cultura dos dois países.

TARRAFAL, PATRIMÓNIO MUNDIAL

As repúblicas de Angola e Cabo Verde manifestaram a intenção da apresentação de uma candidatura conjunta à Unesco para a elevação do ex-Campo de Concentração de Tarrafal a património mundial. Falando à imprensa a ministra Carolina Cerqueira frisou que se pretende valorizar e promover cada vez mais um espaço que tem uma ligação no processo de independência e da afirmação de Angola no contexto das nações. Carolina Cerqueira afirmou que por se tratar de um local de memória colectivo, é essencial que os dois países apostem no trabalho conjunto para a sua elevação como património mundial. Por turno, o ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, destacou que é obrigatório os dois países trabalharem juntos tendo em conta a história que os une.
Abraão Vicente frisou que a parceria técnica será essencial e a parceria de desenvolvimento do processo pela parte científica, bem como a conjugação de esforços para que a visão final sobre a sua importância seja também comum. De acordo com o governante cabo-verdiano, pretende-se, através de um projecto museológico, passar a mensagem da existência de um centro internacional de paz em África e no qual Angola e Cabo Verde comungam dos mesmos ideias. Formalmente instituído pelo regime fascista português, a 23 de Abril de 1936, sob a designação de Colónia Penal de Cabo Verde, Campo de Concentração do Tarrafal recebeu, numa primeira fase, até 1954, arbitrariamente e sem qualquer direito de defesa, 340 presos políticos portugueses que lutavam contra o Estado Novo. Em Junho de 1961, com a luta das forças nacionalistas desencadeadas pelas colónias portuguesas em África, o campo de concentração foi reaberto pelo regime colonial com o nome de Campo de Trabalho de Chão Bom e, desta feita, para encarcerar resistentes à guerra colonial em Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Essa segunda fase do campo, já sem a célebre "frigideira" , hoje totalmente imperceptível, durou 13 anos, até à data em que se deu o seu encerramento definitivo, a 01 de Maio de 1974. Nesse período, 238 combatentes da luta pela independência das colónias portuguesas estiveram presos nesse cárcere de isolamento e repressão, que visava aniquilá-los física e psicologicamente. Em Cabo Verde já é Património Cultural Nacional, mas o país quer a sua elevação a Património da Humanidade para preservar a memória de todos os que lutaram pela liberdade em Portugal e na África de expressão portuguesa.