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Miss Angola 2018

Ontem, assisti à parte inicial do “Miss Angola”. Agastado e envergonhado, desisti de assistir à transmissão televisiva. Ao ver as jovens mulheres desfilarem com aquelas grandes quantidades de cabelo postiço, fiquei envergonhado, enquanto africano. Vi mulheres de cabelos compridos, ocultado o seu cabelo natural. Eu sou crítico desse tipo de pensamento e de atitude. Inclusive, critico as pessoas próximas.

I - “TENHO VERGONHA”

Ontem, assisti à parte inicial do “Miss Angola”. Agastado e envergonhado, desisti de assistir à transmissão televisiva. Ao ver as jovens mulheres desfilarem com aquelas grandes quantidades de cabelo postiço, fiquei envergonhado, enquanto africano. Vi mulheres de cabelos compridos, ocultado o seu cabelo natural. Eu sou crítico desse tipo de pensamento e de atitude. Inclusive, critico as pessoas próximas.
Que pena! As mulheres africanas têm características peculiares. Uma delas está relacionada com o cabelo (textura e comprimento). Precisamos de meditar sobre isso. Precisamos de acabar com esses complexos carregados de estupidez.
Por causa do cabelo postiço e do desleixo para com o cabelo natural, muitas mulheres africanas, particularmente, angolanas já não têm cabelo nos extremos da área com cobertura capilar, sobretudo na parte frontal. Muitas vezes, mesmo querendo esconder o cabelo natural maltratado, teimosamente ele fica à mostra, o que dá uma imagem desagradável. Que mulheres desleixadas! Para se evitar que essas e situações similares ocorram, peço às mães e educadoras africanas que não coloquem cabelos postiços na cabeça das crianças. Eduquem-nas a fazerem tranças e a tratarem bem do cabelo.
É triste ouvir uma mulher dizer: “Preciso de dinheiro para comprar cabelo. Não posso ir à festa com este cabelo”.

II - SEMPRE HOUVE
MULHERES AFRICANAS LINDAS

Durante a minha infanto-adolescência, de uma maneira geral, as pessoas do género feminino não usavam cabelos postiços. Contudo, sempre houve crianças, adolescentes e mulheres lindas. Sempre houve mulheres com penteados lindos e atraentes.
Nos séculos passados, havia mulheres africanas lindas. Elas não usavam cabelos postiços, nomeadamente “passagem”.
Espero que as escolas dos países africanos, particularmente as escolas de Angola proíbam o uso de cabelo postiço nas escolas, máxime, no ensino de base.
Oxalá os Estados Africanos agravem consideravelmente o imposto sobre os cabelos postiço.

III - PADRÃO DE BELEZA IMPOSTO

Os outros continentes, paulatinamente, foram impondo padrões de beleza do género feminino, especialmente, relacionados com os cabelos, criando a ideia de que as mulheres são mais lindas, quando usam cabelos longos (não importa se são naturais ou postiços). Por outro lado, factores comerciais estão na base da criação de indústrias de produção de cabelos (naturais, tratados e artificiais). Criou-se uma máquina comercial, com grande marketing direccionada aos países africanos. E as mulheres negras americanas influenciaram as mulheres africanas, com destaque para as cantoras e actrizes.
Actualmente, os países africanos importam da América, Ásia e Europa enormes quantidades de cabelo, o que é inaceitável. Que vergonha! Que gastos desnecessários!
Dirijo-me à mulheres africanas, dizendo-lhes: Mulheres africanas, não queiram ser como as mulheres dos continentes mencionados, pois os homens americanos, asiáticos e europeus gostam mais das mulheres africanas com as suas características naturais, nomeadamente, cabelo original. Não é necessário gastar dinheiro para a aplicação de cabelo postiço. Que cada mulher cuide do seu cabelo natural!
Usemos os nossos cabelos originais. Usemos os nossos nomes africanos! Valorizemos a nossa cultura! Um povo, um grupo populacional, grande ou pequeno, sem cultura não tem identidade.

Com raiva e vergonha