Letras

Cristóvão Neto concorre à direcção da UEA

Aproximam-se as eleições. AUnião de Escritores Angolanos vive hoje um dos momentos mais difíceis da sua história. Há mais ou menos sete anos que a instituição vem definhando. A decadência é hoje visível em todos os planos: quer no da afirmação e produção de conteúdos, quer no material.

São inúmeras as deficiências na própria organização interna da instituição:
1. A direcção da UEA não cumpre com a prestação anual de contas aos seus membros, só a realizando no fim dos mandatos;
2. A maioria dos membros desconhece qual é na verdade o estatuto vigente da UEA, pois a direcção não o dá a conhecer aos seus membros;
3. Não existe uma base de dados coerente com os nomes de todos os membros da UEA. Por exemplo, o caderno eleitoral das eleições passadas continha nomes repetidos, nomes de membros já falecidos e até membros desconhecidos. Para não falar numa base, que deveria existir, com os contactos dos membros e outras referências como a foto, a bibliografia do escritor, etc.
4. A União de Escritores teve um portal na internet que já serviu de instrumento de pesquisa a especialistas e estudantes. Hoje não existe mais por mera incompetência ou falta de vontade. Não me digam que é tão difícil organizar um portal e actualizar os seus conteúdos de 15 em 15 dias ou até mensalmente.
Embora não existam estatísticas actualizadas, a União de Escritores, no âmbito do seu papel enquanto editora, reduziu em grande medida o número de livros publicados. A justificação aduzida é a de que os patrocinadores oficiais deixaram de contribuir.
Na maioria dos casos, os livros publicados sob a chancela da UEA são nados-mortos, já que acabam nas tumbas das arrecadações sem luz. Tudo porque não existe uma estratégia de distribuição do livro baseada no marketing e na publicidade.
No plano do apoio social aos membros, a UEA não assume o seu papel de defesa do escritor, como as outras associações o fazem. A UNAC, por exemplo, conseguiu garantir a atribuição de uma pensão a alguns dos seus membros com dificuldades sociais. A UEA não consegue seguir esta lição?
A principal promessa eleitoral da direcção cessante no pleito passado foi o famigerado projecto imobiliário, que alguns de nós tiveram a coragem de criticar não só as fragilidades que apresentava, mas sobretudo o oportunismo claramente eleitoralista do seu anúncio. Passados 3 anos, o tempo vem-nos dar razão.

5 RESPOSTAS CONTUNDENTES
Aproximam-se as eleições. Todos os problemas referidos continuam na ordem do dia. Temos a noção clara de que a minha candidatura emerge da necessidade de forjar 5 respostas contundentes contra o status quo:
1. Devolver a dignidade à União de Escritores Angolanos através de uma estratégia que traga de volta à casa todos os escritores, da promoção de relaçõescom outras instituições, e de um diálogo permanente com os vários poderes e actores sociais.
2. Defender e proteger, por todos os meios ao meu alcance, os interesses dos membros da UEA.
3. Reorganizar e modernizar a administração e as finanças da UEA; capacitando os quadros do ponto de vista técnico e do atendimento ao público, em geral, e aos membros, em especial; disponibilizando novas plataformas para gestão de informação; tendo como objectivo central para este sector a autonomia financeira da instituição.
4. Implementar uma nova política editorial que permita alargar os ingressos financeiros de modo que o escritor beneficie do fruto do seu trabalho. Para isto é necessário profissionalizar a actividade da Editora, redimensionar a distribuição do livro, alargar a linha editorial, passando a publicar também livros técnicos e outros de interesse público, transformar o acervo da UEA em livros electrónicos e audiolivros, e disponibilizá-los de forma rentável no portal da UEA.
5. Lançar, por um lado, uma estratégia de proximidade e diálogo com outras literaturas, através do apoio à tradução, à divulgação e à vendade livros dos nossos escritores consagrados nas grandes feiras, nas livrarias e outros espaços, promovendo deste modo o reconhecimento da nossa literatura; apoiar, por outro lado, o ensino da escrita criativa entre os novos escritores, bem como outras iniciativas de formação.

O SILÊNCIO DOS BONS
Aproximam-se as eleições. É frustrante saber que são os jogos de bastidores, é a intriga, a calúnia, a maledicência, que acabam por prevalecer e fazer a vitória. Vamos acabar com este jogo. É frustrante saber que aqueles que, com honestidade, com sinceridade, com respeito à dignidade de cada um, tentam levar avante ideias, projectos, acções, são preteridos, porque aqueles que podem fazer a diferença estão petrificados no tempo, não reagem, não se importam com o que se está a passar numa das mais importantes instituições culturais do nosso país. Como Martin Luther King dizia: "O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons". É o silêncio cúmplice dos decentes que me preocupa. Vamos acabar com esta morbidez, vamos arregaçar as mangas, está na hora de avançarmos.
Chegou a hora de despertar em cada um de nós o desejo de fazer melhor e mais do que aquilo que estamos a fazer. É por isso que estou aqui para vos pedir uma oportunidade para a esperança que reside em nós, uma oportunidade para o futuro que há em nós, uma oportunidade para o amor que nos deve unir. É por isso que me disponibilizei, mais uma vez, para juntar a vontade de todos e marcharmos rumo à vitória da esperança. Portanto, caro membro da UEA, se se identifica com as soluções apontadas, se quer uma União melhor, se deseja vencer a apatia, a estagnação, a decadência, peço que se junte à nossa causa.