Letras

Uma viagem pela história de África em Kimbundu

A reedição da história "As aventuras de Amor-flor em África" (traduzido para "Ungenji Wa Kazola-Ithulu mu A?ika"), da escritora Maria Eugénia Neto, agora na língua angolana Kimbundu, é assinalada igualmente como a publicação do primeiro livro bilingue da Editora Acácias. A tradução coube a Bernabé José Paulo.

A reedição da história "As aventuras de Amor-flor em África" (traduzido para "Ungenji Wa Kazola-Ithulu mu A?ika"), da escritora Maria Eugénia Neto, agora na língua angolana Kimbundu, é assinalada igualmente como a publicação do primeiro livro bilingue da Editora Acácias. A tradução coube a Bernabé José Paulo.
O livro infanto-juvenil, com ilustrações de Henrique Arede e Pinto Marques, foi apresentado pelo poeta Nguimba Ngola e narra as aventuras de Amor-Flor, o cão cavalinho, e do dono, que viajam pelo continente africano e pela península Arábica. Uma viagem por diferentes povos, as suas culturas, a sua história, os seus hábitos e também por uma  prodigiosa e diversificada natureza.
Para Nguimba Ngola, o facto de a autora e a Editora Acácias terem apostado na valorização das línguas nacionais, com a publicação bilingue de “As Aventuras de Amor-flor em África” deve ser louvado e incentivado. "Devemos sentir como um apelo à unidade nacional”, diz o autor do poemário "Mátria".
Escritora e viúva do primeiro Presidente de Angola, Maria Eugenia Neto, ressalva que o formato bilingue da referida obra não foi sua ideia, mas da editora. “A ideia foi da editora. Eu adorei a preocupação. Não posso ver se está bem traduzido porque não sei Kimbundu. Espero que as pessoas que saibam falar tenham a responsabilidade nisso”, desafia a autora do premiado "...E nas florestas os bichos falaram".
A autora aproveitou a ocasião para lamentar a falta de interesse por parte dos adolescentes em aprender mais sobre as suas origens e línguas. “Apesar de ser um livro de ficção, carrega uma quantidade densa de informações sobre o continente. Não é só uma efabulação, há conteúdo verdadeiro que esta aí”.
De 84 anos de idade, Maria Eugénia Neto continua a demonstrar a sua preocupação com a falta de interesse dos jovens em conhecer a história do seu continente, o que justifica com a pouca importância que os mais novos dão aos livros. A também poetisa acredita que o livro que acabou de lançar poderá ajudar a inverter o quadro. “A juventude não sabe nada do seu passado. Os jovens lêem pouco. Os pais deviam ajudá-los. Acredito que este livro pode ajudar”.  No livro, Amor-Flor, o cão cavalinho, quer que o dono seja uma pessoa culta e, por isso, leva-o a conhecer as grandes civilizações da história do continente. Partem então para as terras lendárias do Sudão. O Cão e o menino querem agora saber a história do continente África. Nesta façanha, destaca-se igualmente um invulgar protagonista: o rio Nilo, que nasce no Uganda, atravessa o Sudão, o Tchad e o Egipto para desaguar em Delta no Mediterrâneo.