Letras

No tempo do abraço

Emprestei os meus abraços a um tempo que não era meu
Olhei olhos antigos

No tempo do abraço

Emprestei os meus abraços a um tempo que não era meu
Olhei olhos antigos
Vi nas crianças sonhos anciãos perdidos na limitação do tempo
Dizem que os sonhos não tem idade, mas o corpo que os sonha e vive morre
E se a alma não tem fim, para que corpo vai quando este se acaba?
Emprestei os meus abraços ao tempo dos meus avós,
Cantei seus cânticos,
Chorei seus lamentos.
Dizem que o passado passa, mas e se carregamos connosco a bagagem, com quem fica o peso?
Olhei bem ao fundo do espelho
E vi-me em desejos suprimidos pelas prioridades d época
Caminhos não traçados na esperança de conseguir o amor de um mais ou um menos,
Vi os guarda-venenos, deixados para morrer depois, poupados na espera de uma palavra dócil.
No fim de tudo, somos todos sonho de amor
Clamamos abraço, agora, já,
E abandonaríamos tudo pelos abraços da época.
Mas o tempo, o tempo não é nosso, mal usado envelhece-nos as esperanças
E bem usado transcende corpos mortais.
Emprestei os meus abraços a um tempo que não era meu.
O abraço era do tempo, e quem o havia perdido era eu!